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Quem faz cinema sempre fica dividido entre o que quer mostrar e o que deve ou pode ser mostrado. Se por um lado existe o interesse comercial em explorar a curiosidade do espectador, pelo outro há sempre a preocupação em ofender grupos mais conservadores. Esses grupos mais reacionários reagem, às vezes fortemente, ante a exibição de violência, sexo e agressão a valores morais e religiosos. Não poderia ser diferente então a reação provocada pelo filme "Calígula", que não apenas explorou os temas acima citados como ainda apresentou impensáveis cenas de sexo explícito. Tais cenas, num filme comercial, só apareceriam no genial "Império dos sentidos", mas num contexto absolutamente diferente. É desnecessário dizer que o filme de Tinto Brass foi mundialmente rotulado de imoral e ultrajante. |
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Como, então, retratar com fidelidade uma época luxuriosa, onde um déspota insano e sádico de vinte e cinco anos dominava metade do mundo, com poder absoluto de vida e morte sobre qualquer ser vivo? Orgias, execuções, torturas e extremas desigualdades sociais faziam parte do dia a dia da Roma Antiga. É possível que a realidade daqueles dias fosse muito mais chocante para os nossos olhos do que a versão produzida por Bob Guccione. |
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| Se o filme é estranho, polêmico e perturbador, o homem
retratado e sua época o eram mais ainda. Quem era afinal este ser
tão horrendo, que teve o nome como sinônimo de crueldade e
devassidão? Todos os cronistas concordam que Calígula ( 12
41 dC) possuía elementos de loucura, crueldade, vícios,
extravagância e megalomania. Calígula era alto, magro, pálido
e prematuramente calvo. Do imperador Augusto herdou a ambição
e a sensualidade, bem como a epilepsia que acompanhou a família.
Ele costumava fazer caretas (gostava de praticar na frente de um espelho)
e era um orador impressionante. Sua verdadeira natureza era cuidadosamente
oculta, a ponto de seu tio-avô e imperador Tiberius ter dito certa
vez: "Nunca existiu um escravo melhor e um senhor pior do que Calígula".
Criança ainda, Gaius Caesar era levado pelo pai Germanicus para as campanhas militares contra os bárbaros. Mascote das tropas, ganhou o nome pelo qual entrou para a história por conta das botas militares que usava ( caligula = botinhas). Mais tarde, viu o pai, a mãe e os irmãos serem executados por ordem de Tiberius e seu ambicioso comandante da Guarda Pretoriana, Sejano.
A adolescência de Calígula foi passada virtualmente como
prisioneiro de Tiberius na ilha de Capri, onde o imperador construiu uma
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